Afinal, eles têm mais prazer do que elas ou esse é apenas um dos muitos mitos em torno da realidade que ainda persistem? Um estudo inglês divulgado pelo Public Health England em 2018 revelou que as mulheres, principalmente as mais jovens, têm cada vez mais dificuldades em conseguir alcançar prazer nas relações sexuais. Segundo os investigadores, quase metade das millennials não tem uma vida sexual satisfatória.
Já em 2017 um estudo americano, "Differences in orgasm frequency among gay, lesbian, bisexual and heterosexual men and women", tinha revelado que o género e a orientação sexual poderiam ter um impacto na frequência de orgasmos. Mas será que esta diferença de género influencia mesmo o prazer nas relações sexuais? Vânia Beliz desconhece a existência de estudos ou investigações que afirmem que os homens têm mais prazer do que as mulheres. "Os homens podem é ter mais facilidade em chegar ao prazer através do orgasmo, por exemplo, mas isso não significa que tenham mais desejo", refere a sexóloga.
Segundo esta especialista, licenciada em psicologia clínica e mestre em sexologia,, os homens têm "uma resposta sexual mais eficaz para chegarem ao prazer, muitos têm mais facilidade no prazer, excitação e no orgasmo, mas não são todos iguais". Já no caso das mulheres, "o nosso ciclo hormonal faz com que, durante o mês, as mulheres tenham alterações muito evidentes no desejo, por exemplo", sublinha Vânia Beliz.
"E, nesse aspeto, os homens não são expostos a uma influência hormonal que os condicione tanto", realça ainda a especialista. Mas atenção: “Isso não significa que eles estejam sempre prontos, como achamos tantas vezes”, sublinha. "Os homens também podem ter dificuldade no desejo, na excitação. Não são máquinas sexuais, por isso também podem não ter vontade, estar cansados e até, claro, terem dores de cabeça", diz Vânia Beliz.
Homens e mulheres enquanto máquinas sexuais
Esclarecida essa crença, chegamos a um outro mito, também ele muito comum. Os homens estão sempre dispostos a ter relações sexuais. Mas será mesmo essa a realidade? De acordo com a sexóloga, não é bem assim e os homens também falham. No entanto, "quando o homem falha, a mulher não está habituada e, muitas vezes, é aqui começam as cobranças", realça a autora de livros como "Ponto quê?", publicado pela editora Objectiva.
"Tenho casos em que as parceiras fazem pressão junto dos seus companheiros, uma vez que associam a falta de vontade a desinteresse. Acham que eles já não gostam delas, o que aumenta ainda mais a ansiedade deles em relação ao desempenho. Por vezes chegam a recorrer a fármacos para ajudar a melhorar o desempenho", refere. Para Vânia Beliz, os homens têm o mesmo direito do que as mulheres em dizer que não lhes apetece. E será que é verdade que os homens perdem o interesse sexual mais cedo quando estão numa relação duradoura? Vânia Beliz desconhece a existência de dados que confirmem essa teoria.



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